PARÓQUIA SÃO JOSÉ

DIOCESE DE BRAGANÇA PAULISTA

PARÓQUIA SÃO JOSÉ

DIOCESE DE BRAGANÇA PAULISTA

Queridos amigos e paroquianos de São José, no dia 04 de agosto, comemoramos o “dia do Padre. Contudo, devemos nos perguntar se tudo está bem com os Padres e se temos motivos para comemorar; ainda mais sabendo que dois dias antes de seu dia, outro Padre se suicidou no Brasil.

O mês de setembro é lembrado, em muitos lugares do mundo, como o mês de Prevenção ao Suicídio; e uma pesquisa de 2008, apresentada no Congresso do ISMA Brasil, organização de pesquisa e tratamento do estresse, apontou que a vida sacerdotal é uma das profissões mais estressantes da atualidade.

O padre, como todo ser humano tem o poder de tirar a sua vida; os números, infelizmente, comprovam esse poder, essa ação. Mas por que tantos se escandalizam diante do suicídio de um padre? Diria até mais precisamente, o suicídio de todo ser humano deveria produzir o mesmo escândalo, afinal de contas, se trata de negação de si mesmo. Entretanto, o fim doloroso e dramático da vida de um padre, que tira a própria vida, escandaliza muito mais. Por quê?

Pe. José Alves, que tirou sua vida no dia 07 de novembro de 2021, escreveu pouco antes de cometer o ato desesperado “Amo minha Igreja”. O autor da carta ainda se questiona: mas a Igreja ama seus padres?

Ele enumera diversas situações que empurram os padres para as crises que podem levar ao suicídio: a pouca atenção dos bispos, a pressão de ser bons administradores e exímios ministros pastorais, a frieza das relações dentro do presbitério, a pressão das comunidades, as denúncias – muitas vezes falsas. Por mais que tenha enumerado diversas situações, que são propriamente sintomas da grave crise, penso que o autor da carta não tocou no problema mais profundo: a “sacralização”, quando não, o “endeusamento” do padre.

A formação sacerdotal precisa ser revista, reformulada, repensada. Precisamos criar seres humanos prontos para servir, mas também escutados em suas limitações e fragilidades. Se a Igreja quer evitar que as mídias mostrem sua fragilidade porque mais um padre se suicidou, procure urgentemente superar o maior câncer que a aflige, o clericalismo exacerbado. Já é passada a hora de nos enxergarmos a nós mesmos não apenas como sacerdotes, mas como povo de Deus. Já é passada a hora de nos escandalizarmos todas as vezes em que um ser humano tenta contra sua vida.

A Fé tem que dar sentido e sustento para a nossa vida. Assim poderemos enfrentar as tentações e desolações que nos fazem perder o sentido. Olhemos para cima, para os valores supremos que temos: a família, nossos amigos, nossa Igreja, nossa comunidade e busquemos nos autodeterminar sempre em Deus e com Deus; nunca sozinhos.

A realidade do sofrimento e da dor é um mistério, não uma experiência sem sentido. O sofrimento bem vivido nos revelará cada vez mais o sentido das nossas vidas. Também, lembremos que, na oração do “Pai Nosso”, não pedimos para não sermos tentados, mas sim para não cair na tentação. Pedindo assim, Ele nos dará a força para resistir.

Não serão as confraternizações de natal e de aniversário aquelas que nos tornarão mais irmãos; não serão os retiros anuais ou as reuniões mensais aquelas que nos ajudarão a sermos e permanecermos mais unidos a igreja particular ou ao carisma dos fundadores. Aproximemo-nos uns dos outros em Cristo.  A nossa vida é missão, a nossa vida é para os outros. Por isso, a importância dos vínculos entre nós, membros da Igreja, do Corpo Místico de Cristo.  Somos Família Espiritual, somos Comunidade, somos a Comunhão dos Santos!  Temos que acreditar na santidade, pois é essencial para saber lidar com o desafio do suicídio.

Louvado seja Deus!

 

Padre Jeferson Mengali – Pároco

Quando se entende as lições a dor se vai.

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