PARÓQUIA SÃO JOSÉ

DIOCESE DE BRAGANÇA PAULISTA

PARÓQUIA SÃO JOSÉ

DIOCESE DE BRAGANÇA PAULISTA

Queridos paroquianos de São José, com o início do tempo da Quaresma, somos convidados a fazer um processo de revisão de vida, de mudanças de atitudes, um processo de conversão. Para que ela aconteça de forma clara e sincera, necessitamos mergulhar no amor infinito do Senhor, que fez a vontade do Pai e se doou para salvação da humanidade. Neste sentido, a Igreja incentiva as práticas de penitência e oração, dentre elas a meditação da Via-Sacra. Porém, como qualquer exercício espiritual, ela pode se tornar um ritual seco e maçante, se o seu coração não estiver realmente entregue à meditação.

A Via-Sacra é um exercício de piedade no qual os fiéis mentalmente percorrem o caminho que Jesus Cristo fez desde o julgamento de Pilatos até o monte Calvário. Esse exercício, que remonta os primeiros séculos da Igreja Católica, foi se constituindo com tempo, até chegar ao formato que conhecemos hoje.

Desde o início do Cristianismo, há indícios da veneração dos fiéis aos lugares santificados pela vida, a morte e a glorificação do Senhor Jesus. Com isso, surgiram as primeiras peregrinações e as primeiras narrativas reproduzidas em pinturas e esculturas dos lugares sagrados. O primeiro itinerário que seguiu o caminho percorrido por Jesus, data o ano de 1187, porém, somente no fim do século XIII, os fiéis passaram a separar a Via Dolorosa do Senhor em etapas ou estações. Cada uma dessas era dedicada a um fato do caminho da cruz de Cristo e acompanhada por uma oração especial. A Ordem dos franciscanos teve um papel importante na propagação do exercício da Via-Sacra. Estes, desde o século XIV, são os guardas oficiais dos lugares santos da Terra Santa dedicando-se à propagação da veneração em suas igrejas e conventos.

Tive a graça de estar algumas vezes na Via Dolorosa, em Jerusalém, onde o percurso acontece dentro da Cidade Velha, no seu ritmo normal e intenso de movimentação, em meio ao mercado árabe e pessoas que transitam, entre judeus, mulçumanos e pessoas do mundo inteiro. Uma grande movimentação semelhante àquela vivida por Cristo, quando passava em meio a curiosos, observadores e aqueles que desejavam a sua morte. É a tradição cristã preservada na terra onde Jesus foi condenado, flagelado e morto.

Em cada estação da Via-Sacra, muitos são os sentimentos e emoções que brotam, simplesmente pelo fato de se recordar, tocar, sentir e andar nos lugares por onde Jesus passou. Além disso, é um convite a unir a própria vida, desafios e súplicas, ao caminho de Cristo até a Cruz. É um amor que permanece; uma voz que ainda hoje se escuta. Trata-se de colocar os pés nas pegadas de Jesus e seguir a via do amor, que leva à Basílica do Santo Sepulcro e da Ressurreição: um lugar único e capaz de suscitar emoção e devoção.

“Queres acompanhar Jesus de perto, muito de perto? Abre o Santo Evangelho e lê a Paixão do Senhor. Mas ler só, não: viver. A diferença é grande. Ler é recordar uma coisa que passou; viver é achar-se presente num acontecimento que está ocorrendo agora mesmo, ser mais um naquelas cenas.” (Via Sacra, IX estação, Josemaria Escrivá).

Durante a quaresma até o domingo de Páscoa, coloque-se como Cristo em cada uma das estações. Talvez você se lembrará de ser “condenado” quando foi ridicularizado por outras crianças do seu bairro. Talvez você verá a si mesmo caindo sob o peso da cruz quando soube do vício do seu esposo na bebida ou quando soube do câncer do seu pai. Quem sabe, Simeão não foi aquele seu professor ou chefe que te chamou para conversar porque percebeu que você estava passando por momentos difíceis e precisava de um “ombro amigo”.  E a melhor notícia é essa: Jesus revive não somente sua Paixão e morte em nós. Ele também revive sua gloriosa Ressurreição e Ascensão aos Céus! Essa é a esperança que nós celebramos quando a quaresma termina e a grande celebração da Páscoa começa: não importa o que soframos, independentemente do que tenhamos de enfrentar, tudo isso se transformará em glória.

“Nós vos adoramos, SENHOR JESUS, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!”

 Pe. Jeferson Mengali – Pároco

Cajado do Pastor – Jornal a Semente – Edição Março 2020

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