SANTIDADE – UMA PROPOSTA PARA TODOS
Meus irmãos e minhas irmãs estamos iniciando o mês de novembro, mês em que toda a igreja se reúne para rezar por todos os santos e também por todos os nossos irmãos falecidos.
A vida da igreja nos remete a uma tradição, onde homens e mulheres por sua vida e seus exemplos nos ensinam a buscar a Deus através do serviço e da doação total à vontade do Pai. Como nos diz o documento Lumem Gentium 40: “Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade”. E lembramos também aquilo que nos diz Mateus em seu evangelho: “Deveis ser perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito” (5,48)
Conhecemos os santos canonizados pela Igreja, santos que são lembrados no culto, na liturgia, nas orações, nas imagens. Existem santos para todos os dias do ano e para todos os gostos. O povo em geral possui devoções próprias derivadas de tradições herdadas de seus antepassados ou agregadas ao culto conforme as necessidades de cada época. Os mais venerados são os padroeiros das cidades, das profissões ou aqueles que propiciam a cura de doenças. Mas não podemos nos esquecer que o número de santos anônimos é infinitamente maior do que o número de santos que nós conhecemos, pois a santidade se realiza na vida e na história de cada homem e mulher que se dedica à causa do Evangelho. São homens e mulheres que fizeram parte na nossa história, da nossa vida, em nossas casas, dentro de nossas famílias. São eles pais, mães, filhos, avós, amigos que já partiram para a casa do Pai e que hoje nos lembramos com muita saudade. São santos porque na infinita graça de Deus encontraram misericórdia do Altíssimo.
O próprio Cristo no evangelho de João nos dá a certeza da vida eterna, quando nos diz: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, e quando eu tiver ido preparar-vos-ei um lugar e voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós” (14,2-3).
No sacrifício realizado por Jesus, todos nós somos lavados dos nossos pecados e conduzidos para a vida eterna. Ele nos apresenta um Pai que é rico em misericórdia, que nos faz reviver, ressuscitando-nos com Ele. A morte, então, deixa de ser o que era. Perde seu poder. Fica totalmente aniquilada. O cristão, tendo sido enxertado em Cristo, não deve mais nada ao pecado. Por isso a morte já não tem mais poder sobre ele, como não tem sobre Cristo (Rm6,4-11). A certeza de ressurreição não arranca do cristão a fragilidade da morte, mas como afirma Santo Agostinho: “não é a fé, mas a natureza que sente horror à morte”. A morte foi vencida, mas em esperança (Rm 8,24). Por enquanto vivemos sob o regime da dor, do luto e das lágrimas. A superação definitiva da morte é um bem próprio dos tempos escatológicos. Lá, não haverá mais fome, nem sede. Nem o sol, nem o mormaço vão molestar ninguém (Ap 7,14). Sem esconder a dor e sem esvaziar o mistério da morte, nossas preces e orações fortalecem em nós a convicção e a certeza de que “para os que creem, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado nos céus um corpo imperecível” (Prefacio dos fiéis defuntos I). caminhemos juntos nesse certame que nos é proposto. Tenhamos todo nós a certeza da vida eterna, vida de paz, amor e caridade. Façamos de nossa vida uma grande ação de graças a Deus, para juntos entrarmos na eternidade.
Que Deus vos abençoe…
Pe. Jeferson F. Mengali – Pároco
(publicado em Novembro de 2007)