CRISTÃOS PERSEGUIDOS. VAMOS REZAR POR ELES?
Queridos amigos paroquianos e fiéis de São José,
Vocês já pararam para pensar que em pleno século XXI, o número de cristãos perseguidos caminha para se igualar a de séculos passados? O mundo está sendo testemunha do surgimento de uma nova geração de cristãos mártires. Segundo cálculos do sociólogo David Barret, um cristão é assassinado a cada cinco minutos, um dado que os coloca no topo dos grupos mais perseguidos do mundo. Não que seja um problema novo, pois os seguidores de Cristo foram perseguidos desde o tempo dos Apóstolos. Aqui no Ocidente tendemos a nos esquecer de que o martírio cristão não é apenas um fenômeno do passado. Isso acontece em países que vão desde a África, como a Somália, a Eritreia e o Sudão, até o Sudeste asiático e o Extremo Oriente, o que inclui a China e, entre outros, partes da Índia, da Indonésia e do Vietnã, sem esquecer, de passagem, das ilhas Maldivas, no Pacífico, onde o culto cristão, incluindo casamentos e funerais, é proibido. Os cristãos têm medo de falar da fé até mesmo dentro de casa. Na ditadura laica brutalmente repressiva da Coreia do Norte, dezenas de milhares de cristãos estão presos em campos de trabalho por causa de “crimes” como ter uma bíblia ou ir para a igreja. Sobreviventes relatam que os prisioneiros são torturados e tão mal alimentados que cerca da metade morre de desnutrição. Os cristãos perseguidos estão espalhados por todo o planeta. E o que nós realmente podemos fazer? Não há solução fácil para as circunstâncias políticas que tornam a vida tão insuportável e a morte violenta uma ameaça para muitos cristãos do mundo. Mesmo assim, há organizações que fazem esforços heroicos para ajudar os cristãos perseguidos. Manter-nos informados também ajuda, porque nos permite entender quando é que a pressão ocidental consegue fazer a diferença.
Devemos nos sentir honrados pela coragem dos nossos irmãos e exercer pelo menos o privilégio de rezar por essas comunidades cristãs que sofrem provações tão intensas. Em sentido muito real, a luta deles é também nossa. É fácil nos sentirmos alheios ao problema da perseguição religiosa fora de nosso país, mas não devemos perder de vista a real dimensão espiritual e religiosa desses conflitos. Os cristãos são odiados por razões que são centrais na sua fé: a vontade de evangelizar, a recusa em negar a Cristo mesmo em face de pressão extrema, a insistência na dignidade intrínseca da vida humana, inclusive nas suas formas aparentemente mais insignificantes. Os extremistas islâmicos não apreciam esse tipo de resistência. Nem os déspotas laicos. Se no Ocidente nós temos que lutar para manter a fé no meio de uma cultura laica hostil, os cristãos perseguidos nesses outros lugares têm de fazer sacrifícios muito maiores. São almas que entendem na prática o que significa “abraçar a cruz” perante uma oposição brutal. Quando as circunstâncias não nos deixam oferecer a eles os necessários alívios temporais, ainda podemos reconhecer e divulgar pelo menos a sua luta e sofrimento. Temos obrigação de diariamente em nossas orações nos lembrar daqueles que renunciam às suas casas e até mesmo às suas vidas para se manterem fiéis à Verdade.
Como disse São Jorge em duas ocasiões quando questionado por Diocleciano: “O nome principal que carrego é o de ser cristão “…” A verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e Nele confiado me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade.”
Que São Jorge, o grande mártir, interceda para que sejamos verdadeiros guerreiros na fé. São Jorge, rogai por nós e por todos os cristãos perseguidos! Amém!
(Trecho do livro: “O Poder do Santo Guerreiro”)
Pe. Jeferson Mengali – Pároco
(publicado em outubro de 2015)