COMUNHÃO ESPIRITUAL EM TEMPO DE ISOLAMENTO SOCIAL.
“Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos vossa vinda”.
Por meio desta aclamação, feita logo após a consagração da missa, nós católicos manifestamos a fé da Igreja na Eucaristia como memorial da paixão, morte e ressurreição de Jesus e a certeza de que Cristo permanece vivo em nossas vidas até Sua vinda gloriosa.
Porém, queridos paroquianos e amigos de São José, neste ano, devido ao isolamento social que estamos vivendo, a maioria dos fiéis não pode se aproximar do altar e comungar sacramentalmente do Corpo e Sangue de Cristo. Eles se unem em oração aos bispos e padres através dos meios de comunicação e comungam espiritualmente, alimentando a esperança de um dia poderem receber o Corpo e Sangue de Cristo novamente.
“Nesta situação de pandemia, na qual nos encontramos vivendo mais ou menos isolados, somos convidados a redescobrir e aprofundar o valor da comunhão que une todos os membros da Igreja. Unidos a Cristo, nunca estamos sozinhos, mas formamos um único Corpo, do qual Ele é a Cabeça. É uma união que se alimenta com a oração e também com a comunhão espiritual à Eucaristia, uma prática muito recomendada quando não é possível receber o Sacramento”, afirmou o Papa Francisco, após a oração do Angelus de 15 de março.
Não podemos simplesmente fazer o upload da nossa missa online e esperar que nada será perdido. No entanto, nos reunirmos publicamente agora constitui um enorme risco à saúde pública e é inconsistente com nosso dever de amar nosso próximo como a nós mesmos.
Santa Catarina de Sena temia que a comunhão espiritual não tivesse nenhum valor. Jesus lhe apareceu em visão, com dois cálices na mão, e lhe disse:
‘Neste cálice de ouro ponho as tuas comunhões sacramentais e neste cálice de prata ponho as tuas Comunhões Espirituais. Estes dois cálices me são muito agradáveis’”, conta a Santa em seus escritos biográficos.
São várias as orações de comunhão espiritual existentes na tradição católica. Proponho este ato de comunhão espiritual composto por mons. Centène, bispo de Vannes (França):
Senhor Jesus, creio firmemente que tu estas presente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Amo-te acima de todas as coisas e desejo-te com toda a minha alma: “por ti anseia a minha carne, como terra deserta, árida, sem água.” (salmo 62). Senhor Jesus, queria receber-te hoje com todo o amor da Virgem Maria, com a alegria e o fervor dos santos. Pois que me está impedido receber-te sacramentalmente, vem pelo menos espiritualmente visitar a minha alma. Neste tempo de isolamento, possa este jejum eucarístico ao qual sou obrigado, fazer-me participar nos teus sofrimentos e sobretudo no sentimento de abandono que experimentaste sobre a Cruz quando gritaste: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste” (Mc 15, 33-37). Possa este jejum sacramental fazer-me partilhar os sentimentos da Tua Santíssima Mãe e de São José quando Te perderam no templo de Jerusalém. Possa eu reviver os sentimentos da Tua Santa Mãe quando Te acolheu, sem vida, aos pés da Cruz. Possa este jejum eucarístico fazer-me partilhar os sofrimentos do teu Corpo místico, da Igreja, especialmente lá onde a perseguição ou a ausência de sacerdotes são um obstáculo para a vida sacramental. Possa este jejum sacramental fazer-me compreender que a Eucaristia é um dom superabundante do teu amor que vai além de toda a minha pretensão de conforto espiritual. Possa este jejum eucarístico ser uma reparação por todas as vezes em que Te recebi num coração mal preparado, com ligeireza, com indiferença, sem amor e sentimentos de gratidão. Possa este jejum sacramental alimentar sempre mais o meu desejo de te receber realmente e substancialmente com o Teu corpo, o Teu sangue, a Tua alma e a Tua divindade quando as circunstâncias o permitirem.
E até lá, Senhor Jesus, vem visitar-nos espiritualmente com a tua graça para nos fortalecer nas nossas provas. Maranatha, vem Senhor Jesus. “
Pe. Jeferson Mengali – Pároco
Cajado do Pastor – Jornal A Semente – Agosto 2020