PARÓQUIA SÃO JOSÉ

DIOCESE DE BRAGANÇA PAULISTA

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FÉ E RAZÃO: UNIÃO NECESSÁRIA EM TEMPOS DE PANDEMIA.

 Queridos amigos e paroquianos de São José, temos nos dias de hoje, um inimigo comum: a pandemia gerada pelo Covid-19. A pandemia está confundindo e assustando centenas de milhões de pessoas. Isso não é uma surpresa. Muitas pessoas ao redor do mundo estão doentes, e muitas outras morreram. A menos que a situação mude drasticamente, muitas mais adoecerão e morrerão em todo o mundo. Esta crise levanta sérias questões médicas, éticas e logísticas. Mas levanta questões adicionais para as pessoas de fé.

A fé, não pode ser enxergada como inimiga da ciência. Ao contrário, devem caminhar lado a lado como parceiras inseparáveis na busca de soluções para toda crise que ponha em risco a vida humana.

Fé e razão são duas partes de uma mesma busca que devem caminhar juntas. Negar a razão em nome da fé, ou negar a fé em nome da razão são duas atitudes que não condizem com a razoabilidade do conhecimento humano.

São João Paulo II, no prefácio da Carta Encíclica Fides et Ratio, exprimiu muito bem esse equilíbrio fundamental por meio da seguinte metáfora: “A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade.”

Diante da pandemia atual, percebemos diversos posicionamentos desequilibrados que demonstram a tentativa de voar com apenas uma das asas: seja a de uma razão soberba que presume poder explicar tudo; seja a de uma “fé” irracional que nega o conhecimento científico e as evidências reais.

O grande doutor da Igreja Santo Agostinho, considerado o mais renomado filósofo do início da Idade Média, nos mostra que ambas deveriam agir conjunta e solidariamente na busca da verdade. Santo Agostinho explica a colaboração entre fé e razão, relacionando-as do seguinte modo: num primeiro momento, a razão ajuda o homem a alcançar a fé; posteriormente, a fé orientará e iluminará a razão; a razão, por sua vez, contribuirá em seguida para o esclarecimento dos conteúdos da fé. Resumindo, Santo Agostinho reconhece que a razão, por si só, é insuficiente para conduzir o homem à verdade plena. Somente com a fé, tal salto é possível. Ainda assim, a fé não pode prescindir a razão, pois somente com ela o homem poderá dar maiores esclarecimentos à fé abraçada.

Portanto, a verdade é única e para esta concorrem todos os meios na busca de alcançá-la. Logo, a fé e a razão estão voltadas para o conhecimento dessa mesma verdade, que se faz realidade na contemplação face a face com Deus. Com base nas palavras de Santo Agostinho, sejamos homens e mulheres que caminham neste mundo guiados pela fé e a razão. Que saibamos nos servir da centelha divina que habita em nós, criados à imagem e semelhança de Deus, para não nos deixarmos guiar por “pastores” e “governantes” tão ávidos de poder a ponto de usarem de seus “status quo” para se beneficiarem ou beneficiarem àqueles que lhes proporcionaram as condições para ocuparem o lugar onde estão.

A questão fundamental agora é tomar as medidas necessárias, alicerçadas sobre a fé e a razão. Sabendo como o vírus é transmitido, devemos combater sua propagação. A Igreja, ao decidir que as Missas sejam celebradas apenas de forma privada, não está sendo covarde nem deixando de ser mãe. Por prudência e caridade, temos de viver a quarentena que nos foi imposta, sabendo que, mesmo sem poder participar da santa Missa, podemos sempre nos unir em oração aos sacerdotes que atualizam privadamente o sacrifício no altar.

Somos seres de fé e de razão. Não nos esqueçamos disso jamais, pois somente assim, seremos capazes de trilhar o caminho da fé que nos levará ao Deus da Eterna Misericórdia, servindo-nos da razão que Ele mesmo nos concedeu.

Sigamos em frente, meus queridos amigos, com profunda confiança em Deus, e inspirados no testemunho de Dom Paulo Evaristo e no seu lema episcopal “Ex Spe in Spem”, ou seja, “De Esperança em Esperança”, mas na Esperança sempre.

Pe. Jeferson Mengali – Pároco

Jornal A semente – Ed. 156 – Junho 2020

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