ACEITAR COM HUMILDADE AS NOSSAS FRAQUEZAS
Queridos amigos e paroquianos de São José, a Covid-19 chega e com ela um novo modo de viver. Aprendemos como fazer para que o vírus não se propague e é possível então tomar os devidos cuidados quanto a saúde do corpo. Acontece que as atitudes que precisamos tomar em prol desses cuidados a favor da vida, arrancou-nos abruptamente das “nossas vidas”. É o distanciamento social! Permita-se sentir, permita-se ter medo, mas se cuide! Não sabemos de que forma sairemos dessa experiência, mas certamente temos a oportunidade de sair mais fortalecidos.
Falar sobre seus medos e ansiedades não é sinônimo de fraqueza. Só é possível dar um destino diferente as nossas inquietações quando as confrontamos. O primeiro passo para que possamos vencer as nossas fraquezas é reconhecê-las e aceitá-las. Podemos fazer uma lista e começar, através do amor, a desenvolver em nós o oposto de cada uma delas. Por exemplo: orgulho se combate com humildade; ira com mansidão. Observem que não estamos falando do pecado, mas sim da fraqueza que é algo inerente ao ser humano e, por essa falta de conhecimento, muitas vezes para nos mostrar fortes e inabaláveis, negamos, para nós mesmos, que temos fraquezas.
Amar a nossa fraqueza é uma atitude santificante; negá-la é um despropósito, porque negamos nossa natureza, negamos nosso caminho responsável de salvação, o qual somos chamados a assumir. Se negarmos nossas fraquezas e não a aceitarmos, não pediremos a ajuda de Deus para lutar contra ela.
Humildade aos olhos do mundo muitas vezes é associada às pessoas que se submetem a tudo que lhes pedirem, ou mesmo ao fato de não reagirem quando são ofendidos, porém a humildade está muito mais relacionada à capacidade de agir e receber a reação, ou seja, reagir às provações e dificuldades com mansidão. A humildade muitas vezes está relacionada à fraqueza, mas se todas as fraquezas estivessem relacionadas à capacidade de aceitar e ser modesto nas decisões, seria bom que o mundo fosse inundado por pessoas humildes.
A humildade só pode enriquecer a fé, quando agimos com mansidão e brandura de coração, quando reconhecemos a nossa dependência do outro e não nos engrandecemos pelas coisas que temos ou que poderemos ter por nossa posição social. A prática da fé somada à humildade nos dá a capacidade de discernir melhor as decisões que precisamos tomar em nossa vida, é como um efeito dominó, quanto mais humildes e sábias as nossas decisões, mais tudo a nossa volta fluirá para o bem.
O mundo está carente de pessoas de bom caráter, que reconhecem as suas fraquezas, que reconhecem as suas qualidades e, principalmente, que saibam utilizar seus dons e talentos com humildade de coração para somar e abençoar a vida de pessoas, sem tirar proveito da situação.
Nem tudo que queremos muitas vezes se realizará, não se considere uma pessoa incapaz ou infeliz por isso, porém aja com fé quando as dificuldades vierem, aja com fé mesmo que nem todos os seus sonhos se realizem, aja com fé perante o desânimo, e faça da fé e da humildade um convite inabalável para fazer parte de sua vida, tenho certeza que ao agir dessa forma o Senhor abençoará sua vida e proverá todas as coisas necessárias.
Servir a Igreja e a comunidade como discípulo missionário de Jesus, é servir com alegria, partilhar com humildade, não almejando status, elogios, honras. Não exigir nada, a não ser de nós mesmos, para fazermos bem, e assumir com responsabilidade o nosso compromisso de colaborador para a construção do Reino do Pai. Não usar nunca a religião, para enganar a comunidade, para adquirir algum tipo de poder, para se exaltar ou humilhar o irmão. Não assumimos a missão para sermos servidos, mas para servir, e servir com alegria e humildade.
“Jesus manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”.
Vamos viver juntos esta palavra de Jesus: Na humildade nenhuma tentação encontrará espaço em nossa vida, em nosso coração, assim sempre venceremos o mal e as suas tentações. Precisamos urgentemente de um coração humilde como o de Jesus.
Fiquem firmes! Que Deus os abençoe!
Pe. Jeferson Mengali – Pároco
Jornal a Semente – Edição Maio 2020