PARÓQUIA SÃO JOSÉ

DIOCESE DE BRAGANÇA PAULISTA

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COMO NASCE E SE ESPALHA UM BOATO

Queridos amigos e paroquianos de São José, vale lembrar que boatos sobre a morte de alguém famoso, uma doença rara, tentativas de golpes ou mesmo brincadeiras “inocentes” já existiam muito antes da internet surgir. Porém, não podemos negar que alguns boatos se potencializaram com a chegada da tecnologia digital. Nos dias de hoje, somos constantemente bombardeados por notícias falsas, conhecidas por fake news, que, com o auxílio das mídias sociais, se espalham facilmente.

As principais diferenças entre fofoca e boato estão, portanto, no conteúdo da mensagem, nas motivações que estão por trás dela e na dimensão que ganha ao ser difundida. A fofoca envolve um grupo restrito de interessados; o boato conquista um círculo bem maior de ouvintes, ávidos por explicações. O comentário de que uma pessoa famosa está namorando fulano(a) é uma fofoca, mesmo que a notícia esteja estampada em diversas capas de revista. Porém, a história de que haverá confisco da poupança caso este ou aquele candidato à presidência vença as eleições caracteriza-se como um boato. À primeira vista, o boato tem uma aparência legítima, pois as informações são atribuídas a uma fonte supostamente confiável: um médico, jornalista, artista experiente e com ótima formação.

Existem vários tipos de boatos e notícias falsas, temos o conhecido “copy e cole” — em vez de o usuário usar ferramentas de replicação direta, como “compartilhar” e “retuitar”, o material é colado manualmente e às vezes alterado. Isso faz com que cada post pareça autêntico, talvez escrito por alguém que você conhece, aumentando assim as chances de você confiar nele.

Os profissionais especializados na checagem de fatos dizem que todos temos um papel a cumprir — começando por pensar antes de compartilhar. Dê uma olhada e veja se pode descobrir mais informações sobre o assunto. Se a fonte parecer vaga ou a postagem for uma longa lista de informações, compare as informações ali contidas com as de fontes conhecidas e confiáveis. As pessoas que compartilham fake news geralmente não são mal intencionadas — muitas vezes, acreditam que estão passando fatos confiáveis à frente. Ou podem não ter certeza sobre a veracidade das informações, mas acreditam que “em todo caso” podem ajudar.

O ser humano, na essência, é movido a histórias. Elas atiçam a imaginação tanto do ouvinte quanto do narrador, entretêm os amigos, conferem um poder mágico. Por isso, fofocas e boatos são tão irresistíveis. Quem é capaz de evitar a curiosidade sobre a vida alheia?

Numa época em que se revela cada vez mais sofisticada a falsificação precisamos de sapiência para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas. Necessitamos de coragem para rejeitar as falsas e depravadas. Precisamos de paciência e discernimento para descobrirmos histórias que nos ajudem a não perder o fio, no meio das inúmeras lacerações de hoje; histórias que tragam à luz a verdade daquilo que somos.

Como disse Papa Francisco no 54º Dia das Comunicações Sociais: não se trata de seguir as lógicas do “storytelling”, nem de fazer ou fazer-se publicidade, mas de fazer memória daquilo que somos aos olhos de Deus, testemunhar aquilo que o Espírito escreve nos corações, revelar a cada um que a sua história contém maravilhas estupendas. Por isso, inspirando-nos numa conhecida oração franciscana, poderemos dirigir-nos, à Verdade, nestes termos:

Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz. Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não cria comunhão. Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos. Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs. Vós sois fiel e digno de confiança; fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo: onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta; onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia; onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza; onde houver exclusão, fazei que levemos partilha; onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade; onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos verdadeiros; onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança; onde houver agressividade, fazei que levemos respeito; onde houver falsidade, fazei que levemos verdade. Amém.

 Pe. Jeferson Mengali – Pároco

Jornal a Semente – Julho 2020

 

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