FALA COM SABEDORIA, ENSINA COM AMOR (Pr 31,36)
Queridos amigos e paroquianos de São José, como sabemos, é durante a quaresma, que a Igreja católica promove a Campanha da Fraternidade que este ano nos convoca a refletir sobre duas ações essenciais: falar com sabedoria e ensinar com amor. Jesus, o Mestre dos Mestres, é o grande referencial a ser imitado, pois em todas as situações, sabedoria e o amor transbordam em suas palavras e ações, transformando vidas.
Num mundo onde a informação é tão abundante, as palavras tão jogadas ao vento, as notícias dadas em primeira mão e esquecidas rapidamente há, ao mesmo tempo uma carência abundante de verdades, valores, amor e sabedoria, o que torna urgente uma retomada educativa que seja voltada para uma vida digna. Isso exige olhar o outro e perceber nele a face de Cristo, vê-lo como irmão necessitado de uma palavra caridosa, de atenção e compaixão, ou seja, de ensinamentos cristãos, como Jesus fazia.
Em tempos de pós-pandemia, quando o isolamento social fez com que a maioria das pessoas se jogassem de cabeça nas redes sociais, para suprir, ao menos um pouco, a necessidade de se fazer parte de uma comunidade, é providencial e atual esse lema: “Fala com sabedoria, ensina com amor” (Pr 31,26), cujo tema versa sobre a Fraternidade e Educação.
A Sabedoria promove estratégias, rompe o medo, incentiva a criatividade. Muitos são os sinônimos de sabedoria, e entre esses estão: sapiência, conhecimento, ciência, entendimento, experiência, compreensão e educação. Neste sentido, não é possível pensar em formação humana sem o exercício da sabedoria, que é um dos sete dons do Espírito Santo. E o amor? É possível ensinar sem amor? Se a escolha for de ensinar valores que preservam a vida, a integridade, a solidariedade e o bem comum, a resposta é não.
O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que educar é formar uma consciência reta e verídica, seguindo a razão de acordo com o bem verdadeiro querido pela Sabedoria do Criador. Educar a consciência é um dever que se prolonga por toda vida, desde a mais tenra infância até o final da existência humana. Temos em nós, pela graça do Batismo, dom da Sabedoria que deve ser exercido e amadurecido para que saibamos discernir entre a vontade de Deus e os desejos do mundo.
Esta é a terceira vez que a CNBB aborda essa temática na Campanha da Fraternidade, agora, incentivada pelo Pacto Educativo Global proposto pelo Papa Francisco. Este, visa uma educação humanizada que contribua na formação de pessoas abertas, integradas e interligadas, que sejam capazes de se preocupar, também, por difundir um novo modelo relativo ao ser humano, à vida, à sociedade e à relação com a natureza. É necessário reaprender a amar, a perdoar, a cuidar, a curar, a dialogar e a servir a todos. Essa conversão para a fraternidade somente será possível à medida em que Cristo, que nos liberta do egoísmo, for tudo em todos (1Cor 15,22).
Cristo foi o Mestre dos mestres. “Jesus entrou na Sinagoga e pôs-se a ensinar. Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas” (Mar 1, 21-22). Sua didática educava com amor, correção fraterna e sabedoria.
Há muitos modos de educar, métodos modernos e oferecidos a quem tem possibilidade de acesso a eles. Porém, a melhor forma de educar com sabedoria é pela palavra amiga e sincera, que expresse a verdade que vem da Palavra de Deus e seus ricos valores e ensinamentos. Educar com amor é ter como base as Palavras do Mestre Jesus que ensinou que todo o conhecimento humano não tem valor caso não conduza para a santidade, o respeito ao próximo e para dar dignidade aos filhos amados por Deus.
Que imitemos a humildade de São José e a sabedoria da Virgem Maria, para sermos transmissores da educação pela Palavra de Deus.
Padre Jeferson Mengali – Pároco
(PUBLICADO JORNAL A SEMENTE – ABRIL 2022)